Uma experiência com 150 galinhas na estação Gabyon, na região de Murchison, em Western Australia, levou produtoras a observar mudanças no solo e na vegetação de uma propriedade de aproximadamente 271 mil hectares. As aves circularam por áreas de pastagem durante dois anos, embora o grupo tenha ocupado apenas uma pequena parte da fazenda.
A iniciativa foi criada por Gemma Cripps e Helen Williamson depois que as produtoras participaram de um curso sobre agricultura regenerativa. O objetivo era avaliar se o comportamento natural das galinhas poderia contribuir para a recuperação das pastagens.
Efeitos observados no solo
Ao procurar alimento, as galinhas ciscam, bicam e arranham a superfície. Esse movimento cria pequenas fissuras no terreno e pode facilitar a infiltração da água após as chuvas. O esterco também se mistura ao solo e acrescenta matéria orgânica às áreas percorridas pelas aves.
Depois de dois anos, Gemma e Helen disseram ter observado maior retenção de água no solo e mais vigor na vegetação nas temporadas seguintes, em comparação com áreas que não receberam o grupo.
A alteração mais curiosa apareceu nas flores. Gemma Cripps relatou que espécies antes vistas principalmente em tons amarelos e brancos também passaram a surgir na cor rosa nas áreas frequentadas pelas galinhas. As produtoras associaram a mudança a alterações químicas no solo, incluindo modificações no pH após a deposição do esterco, mas a relação não foi apresentada como conclusão científica definitiva.
As aves não consumiram as flores, que permaneceram intactas. Após as chuvas de inverno, as produtoras também observaram uma coloração laranja mais intensa nas gemas dos ovos, junto com a formação de uma vegetação mais verde.
Perdas e expansão
O projeto enfrentou dificuldades. No início do ano, um dingo matou cerca de 80 galinhas em uma única manhã, reduzindo o número de aves e a produção de ovos. Depois disso, o grupo passou a ser protegido por uma cerca elétrica portátil, deslocada entre diferentes áreas da pastagem.
Gemma e Helen pretendem continuar o experimento e ampliar o sistema. Gemma avalia aumentar o número de aves se a produção de ovos justificar os custos de alimentação e manejo. As produtoras também trabalham para começar a criar as próprias galinhas, com a intenção de facilitar o controle sobre a origem dos animais e as estratégias de biossegurança.



