Porto Alegre, Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Brasil

Abraço de Queiroz em Flávio Bolsonaro reacende caso das rachadinhas em Copacabana

Ex-assessor de Flávio apareceu ao lado do senador no lançamento da campanha presidencial, realizado em 16 de agosto.

Queiroz abraça Flávio Bolsonaro em ato flopado em Copacabana e ressuscita escândalo das rachadinhas
Foto: Redes Sociais

O lançamento da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), realizado em 16 de agosto, na praia de Copacabana, teve a presença de uma figura que parecia estar arquivada entre os antigos problemas da família: Fabrício Queiroz. Ex-assessor de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Queiroz foi visto abraçado ao senador durante o ato e fez questão de publicar o reencontro nas redes sociais.

A legenda escolhida para acompanhar a foto foi breve e misteriosa apenas para quem não vem acompanhando a política brasileira nos últimos anos: “22 BR”. Para os demais, a cena não exigia explicações. Tratava-se do retorno de um dos nomes mais ligados ao antigo escândalo das chamadas “rachadinhas” no gabinete de Flávio.

Atualmente subsecretário de Segurança e Ordem Pública de Saquarema (RJ), Queiroz vinha dando sinais de que pretendia participar da campanha do ex-chefe. Em Copacabana, decidiu não só comparecer, mas também posar para a fotografia. Se uma campanha presidencial que fala em “mudança” pode começar de alguma forma, aparentemente ela também pode ter início com o reencontro de antigos conhecidos.

Abraço novo, problema antigo

A imagem rapidamente recolocou Queiroz no centro do debate político. O ex-assessor foi apontado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como personagem central do esquema investigado no antigo gabinete de Flávio na Alerj.

Em 2020, o MP-RJ denunciou Flávio e Queiroz por crimes como peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Conforme a acusação, caberia a Queiroz recolher uma parte dos salários dos servidores do gabinete.

O caso, porém, não chegou a ter uma avaliação definitiva sobre o mérito das acusações. Decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF) invalidaram provas consideradas essenciais para a investigação, e o processo terminou arquivado. Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz sempre negaram a existência de irregularidades.

Desse modo, anos depois, um abraço em Copacabana foi suficiente para fazer a história retornar ao noticiário — sem operação policial, entrevista coletiva ou nova investigação. Uma fotografia bastou.

Clima de déjà vu

O ato que marcou o começo da campanha de Flávio também esteve distante de repetir a dimensão das manifestações que Jair Bolsonaro havia protagonizado anteriormente na orla de Copacabana. A mobilização foi classificada por veículos de imprensa e adversários como flopada ou inferior às expectativas.

Flávio criticou a política de segurança pública do governo federal, defendeu o pai, que cumpre prisão domiciliar, e prometeu reduzir os gastos públicos.

Enquanto o candidato falava sobre o futuro do país, porém, a imagem ao lado de Queiroz remetia a outro tema: o passado.

Era como se a campanha tivesse optado por apresentar, já na estreia, um conjunto completo de nostalgia política. Bandeiras, discursos, defesa de Jair Bolsonaro e, para completar a cena, uma pessoa conhecida justamente por um dos episódios mais incômodos da trajetória política de Flávio.

Queiroz ganhou projeção nacional depois que foram reveladas movimentações financeiras consideradas atípicas em sua conta pelo então Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O episódio avançou para a investigação sobre a possível existência de um esquema de desvio dos salários de funcionários do gabinete de Flávio na Alerj.

A partir dali, seu nome passou a funcionar como uma espécie de palavra-chave involuntária sempre que o passado político do senador entra em discussão.

Agora, ao surgir abraçado ao antigo chefe justamente no lançamento da candidatura presidencial, Queiroz contribuiu para criar uma cena difícil de desconsiderar.

Em vez de manter o passado afastado, a campanha começou levando-o para a areia de Copacabana — literalmente ao lado do candidato.

O abraço, ao menos, deixou uma certeza: para quem esperava uma campanha totalmente voltada ao futuro, o primeiro ato chegou acompanhado de muitas lembranças.

Texto produzido pela Redação Radar da Arena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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