SÃO PAULO — Uma discussão entre Cosme Rímoli e Felipão terminou com os dois trancados na sala de Paulo Angioni, no Palmeiras. O dirigente deixou os dois sozinhos para resolverem o conflito, que vinha de anos e havia se agravado no clube paulista.
A origem do atrito estava na passagem de Felipão pelo Grêmio, campeão da Libertadores de 1995. Nas quartas de final, o time gaúcho venceu o Palmeiras por 5 a 0 em Porto Alegre, mas perdeu por 5 a 1 no Parque Antártica. Depois da derrota, Rímoli questionou o treinador sobre o resultado. Felipão respondeu que o jornalista era paulista e estava do outro lado.
Em 1997, quando Felipão trabalhava no Jubilo Iwata, Rímoli descobriu que ele receberia uma proposta do Palmeiras. O jornalista encontrou Flávio Teixeira, o Murtosa, escondido sob uma mesa na secretaria do clube, e publicou a informação no Jornal da Tarde.
No sábado, Rímoli telefonou para Felipão no Japão. O treinador negou a transferência e afirmou: “Mentira! Não vou para o Palmeiras.” Na apresentação, na segunda-feira, Felipão levou o jornal nas mãos e confrontou o repórter por causa da manchete sobre a contratação.
A relação permaneceu tensa. Em 1998, depois da perda do Brasileiro para o Vasco, os dois discutiam com frequência durante a rotina do Palmeiras. Em uma terça-feira, Angioni interrompeu uma nova troca de gritos e chamou ambos para sua sala.
O dirigente disse que eles eram adultos e deveriam resolver o problema. Durante cerca de dez minutos, Felipão acusou Rímoli de persegui-lo desde o Grêmio. O jornalista respondeu que o treinador havia mentido ao negar que iria para o Palmeiras.
A conversa mudou quando Felipão perguntou: “Bah, vamos ficar assim a vida inteira?” Rímoli concordou em tentar recomeçar, e os dois apertaram as mãos. Angioni então voltou à sala e pediu que trabalhassem como profissionais, lembrando a responsabilidade de cada um.
Rímoli afirmou que a relação com Felipão mudou depois daquele episódio. Também disse que, em seus 40 anos de carreira, nunca encontrou um dirigente como Angioni.
O jornalista relatou ainda que Angioni atuou no Corinthians durante um período de crise política, quando a Polícia Federal expulsou a MSI e seu dinheiro russo do Parque São Jorge. Segundo Rímoli, o dirigente evitou greves de jogadores, protegeu treinadores de agressões de torcedores organizados e cobrou que presidentes pagassem atletas e clubes.
O último encontro entre os dois ocorreu em 2018, quando Angioni trabalhava no Fluminense. Na ocasião, afirmou: “É no Fluminense que eu me sinto melhor, em casa.” Angioni morreu aos 80 anos.



