A ciência ainda não encontrou uma explicação única para o bocejo. O comportamento pode estar relacionado a mudanças no estado de alerta, ao ciclo de sono e vigília, à termorregulação e à interação social.
Uma revisão publicada em 2025 descreve a participação de mecanismos neurológicos, fisiológicos e sociais. O bocejo pode ocorrer antes de dormir, ao acordar, durante o tédio, em momentos de tensão e até antes ou durante atividades físicas. Por isso, não significa necessariamente sono, cansaço ou falta de preparo.
Oxigênio e temperatura cerebral
A hipótese de que bocejamos apenas para aumentar a entrada de oxigênio ou eliminar dióxido de carbono perdeu força. Uma revisão publicada na Neuroscience & Biobehavioral Reviews apontou que as teorias respiratórias não têm evidências convincentes para explicar a função principal do comportamento.
Outra possibilidade relaciona o bocejo à regulação da temperatura cerebral. Um estudo com 120 pessoas encontrou diferenças na frequência de bocejos conforme a temperatura ambiente, resultado compatível com uma possível função de termorregulação. Ainda assim, a função exata do bocejo continua em debate, e diferentes revisões chegaram a conclusões distintas sobre essa hipótese.
O movimento envolve o hipotálamo, o tronco cerebral e diferentes neurotransmissores. Também exige a ação coordenada de músculos da face, da mandíbula e do pescoço.
Por que o bocejo é contagioso?
Ver outra pessoa bocejar pode estimular o mesmo comportamento. Pesquisas com neuroimagem indicam atividade em regiões cerebrais associadas ao processamento de sinais sociais quando alguém observa um bocejo. O chamado bocejo contagioso é observado em humanos e em outros animais sociais.
Uma revisão de 2022 encontrou evidências de que pessoas podem apresentar esse comportamento diante de estímulos de diferentes espécies. Isso, porém, não permite afirmar que o bocejo contagioso seja um teste de empatia. A relação entre contágio emocional e bocejo contagioso ainda não está solidamente estabelecida, e atenção e capacidade de perceber o bocejo também podem influenciar a resposta.
Bocejos ocasionais são normalmente fisiológicos. Quando aparecem de forma persistente, em excesso ou acompanhados de outros sintomas, podem estar relacionados a condições neurológicas ou sistêmicas e justificar investigação médica. Sono insuficiente, rotina cansativa e alterações no horário de descanso também podem mudar a frequência do fenômeno, segundo o Ministério da Saúde.
A conclusão é que o bocejo reúne diferentes fatores e nenhuma hipótese, isoladamente, explica todas as situações em que ele ocorre.



