Viajar por vários fusos horários pode alterar o sono, a fadiga, o humor, a cognição e diferentes componentes do desempenho físico de atletas. Uma revisão publicada em 2026 analisou 89 estudos e identificou efeitos relacionados também à temperatura corporal, à pressão arterial e aos hormônios.
O jet lag ocorre quando o relógio biológico interno fica temporariamente dessincronizado do horário do ambiente. O organismo organiza funções como sono, vigília, temperatura corporal e produção de determinados hormônios ao longo das 24 horas. Como a mudança de fuso acontece rapidamente, o corpo pode continuar funcionando conforme o horário de origem mesmo depois da chegada ao destino.
O impacto não é igual para todos. A direção da viagem, a quantidade de fusos atravessados e as características individuais influenciam a adaptação. O organismo costuma ter mais dificuldade para adiantar o relógio biológico do que para atrasá-lo, e a revisão encontrou efeitos mais marcantes em determinados componentes do desempenho após deslocamentos para leste. Viagens para oeste foram associadas a outros padrões de fadiga e desempenho.
O horário da competição também pode ser afetado. Um atleta acostumado a competir às 20h no Brasil pode disputar uma prova às 20h do destino quando, para seu relógio biológico, aquele momento corresponde a outra parte do dia.
Sono, luz e rotina
Alterações no sono estão entre os efeitos mais relatados após viagens longas. O atleta pode chegar cansado e ainda assim ter dificuldade para dormir no horário local ou acordar antes do desejado. Uma noite ruim não determina o desempenho, mas uma sequência de noites desreguladas pode dificultar a recuperação e a adaptação.
A luz é um dos principais sinais usados para ajustar o relógio biológico, mas o efeito depende do horário de exposição e da direção da viagem. O exercício também pode participar da adaptação, embora os resultados dependam do horário, da intensidade e das características da atividade.
Viagem longa e jet lag não são a mesma coisa. O deslocamento, o tempo sentado, o sono interrompido e a alimentação fora da rotina podem causar fadiga mesmo sem a passagem por vários fusos. Dormir durante o voo pode reduzir esse cansaço, mas não elimina necessariamente a adaptação ao novo horário.
Não existe um prazo universal para o corpo se ajustar. Revisões de 2025 e 2026 apontam que os resultados variam conforme a viagem e as características dos participantes. Por isso, não há um roteiro único: sono, luz, alimentação, hidratação, recuperação e carga de treinamento precisam ser considerados de forma individualizada.



