SÃO PAULO — Juninho Fonseca relembrou a participação na Democracia Corinthiana e afirmou que o movimento terminou após a derrota dos dirigentes que o apoiavam e a saída de jogadores como Sócrates e Casagrande. O ex-zagueiro também contou que foi impedido de entrar no Corinthians para buscar seus pertences.
O movimento surgiu em meio à luta pela redemocratização do Brasil. Juninho recordou a presença de jogadores na Praça da Sé, ao lado de políticos, em manifestações contra a Ditadura Militar. Para ele, a equipe só ganhou espaço porque também acumulou resultados em campo.
No Corinthians, os atletas passaram a participar de decisões sobre escalação, concentração, treinamentos e esquema tático. Sócrates, Casagrande, Vladimir, Paulinho, Zenon e Juninho estiveram entre os jogadores envolvidos. O ex-zagueiro afirmou que uma experiência semelhante havia sido realizada de forma mais discreta na Ponte Preta, mas o movimento corintiano alcançou repercussão nacional.
“Os troféus nos deram espaço obrigatório na mídia”, disse Juninho.
A Copa de 1982
Juninho também falou sobre a eliminação para a Itália na Copa de 1982. Ele não entrou em campo, mas avaliou que a equipe brasileira era superior e foi montada para atacar. Segundo o ex-jogador, o empate seria suficiente nos placares de 0 a 0, 1 a 1 e 2 a 2, mas não havia no banco o volante Batista, apontado por ele como o melhor marcador da equipe.
Como lembrança daquela partida, Juninho conseguiu a camisa usada por Paolo Rossi, autor dos três gols da Itália. Mais tarde, vendeu a peça a um colecionador.
Depois de deixar o Corinthians, Juninho foi vendido ao Juventus. Também passou por Cruzeiro e Vasco, atuou no Yomiuri, no Japão, e trabalhou como técnico e coordenador técnico. Aos 68 anos, atua como comentarista esportivo.
“Somos seres humanos com direito de nos posicionar em qualquer situação”, afirmou. Para Juninho, a Democracia Corinthiana mostrou que jogadores de futebol poderiam participar das decisões e se manifestar politicamente.



