O Maracanã reuniu representantes nesta sexta-feira (11) para explicar as condições do gramado, que vêm sendo criticadas por jogadores e comissões técnicas de Flamengo e Fluminense, além de equipes visitantes. Fred Nantes, CEO do estádio, admitiu que o campo está abaixo do nível esperado, mas negou falta de cuidado na manutenção.
A administração apresentou cinco fatores relacionados ao desgaste: carga mecânica, umidade durante o uso, densidade da vegetação, atividade fisiológica e tempo de recuperação entre as partidas.
Volume de jogos
A quantidade de eventos foi destacada na reunião. Até 30 de setembro, o Maracanã terá recebido 58 jogos em 2026. O número corresponde ao dobro dos 29 jogos registrados pelo Mineirão, segundo estádio com mais partidas entre os clubes da Série A no levantamento. Também aparecem Castelão (51), Engenhão (27), Itaquera (27) e São Januário (26).
O estádio teve 73 partidas em 2025, enquanto o contrato de concessão prevê pelo menos 70 jogos por ano. Nantes afirmou que o volume de partidas precisa ser analisado junto dos demais fatores que afetam o campo.
No período comparado, foram 13 partidas no Maracanã, contra 15 no mesmo intervalo de 2025. O tempo de utilização, incluindo jogos e aquecimentos, ficou em cerca de 1.560 minutos, ante aproximadamente 1.800 minutos no ano anterior.
Chuva, temperatura e recuperação
A umidade nas partidas disputadas sob chuva ou até 24 horas depois de precipitações subiu de 20% para 46%. A apresentação relacionou esse aumento à interferência na condição do campo e na recuperação entre os jogos.
O ryegrass utilizado no gramado perdeu densidade e exigiu 33 ações de semeadura em 2026. A atividade fisiológica também foi afetada pelo clima: em julho, a temperatura ficou 2,4°C acima da registrada no mesmo período de 2025; em agosto, a diferença chegou a 2,1°C.
Em agosto, o estádio recebeu cinco partidas com intervalo mínimo de 48 horas. Nantes disse que a administração reconhece o problema, mas declarou: “não há negligência do Maracanã”.



