NOVA ZELÂNDIA — Shannon-Leigh Litt, de 47 anos, completou 1.000 dias consecutivos percorrendo pelo menos 51 km em ultramaratonas. A sequência rendeu à neozelandesa o recorde mundial do Guinness para o maior número de dias seguidos com uma distância de ultramaratona percorrida por uma mulher.
A meta inicial era chegar a 250 dias e superar os 200 dias registrados pela americana Candice Burt. Ao fim do desafio, Shannon estima ter percorrido aproximadamente 52 mil quilômetros em dois anos e nove meses. A distância representa cerca de 30% a mais que a circunferência da Terra na linha do Equador, calculada em 40.075 km. Ela também calcula ter usado aproximadamente 100 pares de tênis.
Corridas antes do trabalho
Advogada de defesa criminal, Shannon precisou encaixar os treinos na rotina profissional. Nos dois primeiros anos, saía de casa entre 1h e 4h para começar os percursos. Cada ultramaratona durava normalmente de cinco horas e meia a seis horas e meia, mas algumas chegaram a cerca de oito horas e meia.
A primeira corrida válida para o recorde ocorreu em 1º de janeiro de 2024. No início de abril daquele ano, ela já havia superado o recorde masculino da categoria, de 100 dias, estabelecido pelo britânico David Jackson.
Antes da tentativa, Shannon havia passado 14 anos treinando para provas de 100 km. Ela conseguiu se classificar para o Campeonato Mundial da distância com o tempo de 8h29min05s, mas desistiu de participar para priorizar o desafio dos mil dias.
Como a sequência começou na Nova Zelândia, o Guinness exigiu que a corredora mantivesse o fuso horário adotado no início da tentativa, inclusive durante viagens. Ao longo da jornada, ela correu em Bali, Malásia, Singapura, Dubai, Austrália e Áustria. Enfrentou temperaturas próximas dos 40°C e quase sofreu hipotermia na Áustria.
O descanso variou durante o período. Nos fins de semana, tentava dormir cerca de dez horas; em dias úteis, houve ocasiões em que descansou somente três ou quatro horas. A alimentação também acompanhou o esforço: Shannon consumia cerca de 5.500 calorias por dia.
No 999º dia, ela precisou esperar um chaveiro depois de voltar para buscar um relógio e descobrir que estava sem as chaves de casa. O atraso não impediu a conclusão da distância prevista. No dia seguinte, realizou a última corrida e encerrou o desafio antes do prazo que havia calculado.
Depois dos mil dias, Shannon afirmou que pretende mudar completamente a rotina no próximo ano. Ainda planeja manter corridas diárias por algumas semanas e não descarta tentar, no futuro, o recorde relacionado a maratonas.



