Porto Alegre, Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Esportes

Nariz e boca cumprem funções diferentes conforme o esforço físico

Estudos indicam que a respiração nasal pode funcionar em exercícios leves, mas a boca participa naturalmente quando a intensidade aumenta.

Nariz e boca cumprem funções diferentes conforme o esforço físico

A respiração pelo nariz pode ser suficiente em exercícios leves, mas não deve ser mantida à força quando o esforço aumenta. Nessa situação, a participação da boca ajuda o corpo a movimentar mais ar, captar oxigênio e eliminar dióxido de carbono.

O que os estudos mostram

Em uma pesquisa com 12 homens bem treinados, todos ciclistas ou triatletas, os participantes fizeram testes progressivos de exercício máximo com respiração exclusivamente oral, oronasal e oronasal com descongestionamento nasal. Não houve diferença estatisticamente significativa entre os três padrões em VO₂máx, potência máxima, ventilação média ou percepção de esforço.

O tempo até a exaustão foi numericamente maior com a respiração oronasal, mas a diferença não alcançou significância estatística. Como o estudo envolveu apenas 12 participantes, todos homens e bem treinados, os resultados não podem ser aplicados automaticamente a toda a população.

Em baixa intensidade, o nariz pode ser suficiente

Outro estudo avaliou 19 adultos saudáveis durante uma hora de ciclismo de baixa intensidade. A comparação foi feita entre respiração exclusivamente nasal e respiração oronasal.

Quando a respiração nasal foi restringida, houve redução da ventilação total, da frequência respiratória e do consumo de oxigênio durante a sessão. A intensidade escolhida pelos participantes, porém, não mudou. O resultado indica que a respiração nasal pode acompanhar exercícios leves sem necessariamente prejudicar a atividade.

Caminhar, pedalar tranquilamente ou correr em ritmo confortável são exemplos de situações em que respirar pelo nariz pode ocorrer de forma natural. Ainda assim, isso não transforma a respiração nasal em uma regra obrigatória.

A mudança durante o esforço

O nariz aquece, umidifica e filtra o ar antes que ele alcance as vias respiratórias inferiores. Em repouso, a respiração nasal é predominante para a maioria das pessoas. Durante o exercício, porém, a necessidade de ventilação aumenta progressivamente.

Em um estudo com exercício em bicicleta, a participação nasal correspondia a cerca de 70% da ventilação inspirada em repouso. Quando os participantes chegavam a 90% da potência máxima, esse índice caía para aproximadamente 27%.

Com o aumento da carga, o fluxo de ar pelo nariz encontra mais resistência. Em determinado ponto, a boca passa a participar para permitir a movimentação de uma quantidade maior de ar. Essa transição para um padrão oronasal é uma resposta fisiológica, não uma falha técnica.

Controle do ritmo e sinais de atenção

Alguns praticantes usam a dificuldade de manter a respiração exclusivamente nasal como uma referência subjetiva para não aumentar demais a intensidade em treinos leves. No estudo com 19 adultos, entretanto, restringir a respiração ao nariz não mudou significativamente a distribuição da intensidade.

Por isso, a respiração nasal pode funcionar como uma percepção pessoal do esforço, mas não como método universal de controle da intensidade. Frequência cardíaca, potência, ritmo e percepção subjetiva de esforço continuam sendo indicadores apropriados para organizar o treinamento.

Também é normal que a boca participe durante exercícios intensos. Dificuldade persistente para respirar pelo nariz em repouso ou em esforços leves pode estar relacionada a congestão nasal, rinite, alterações estruturais ou outras condições. Nesses casos, é indicado buscar avaliação profissional, em vez de ignorar a causa da obstrução.

A evidência também não permite afirmar que fitas nasais ou outros dispositivos melhorem o desempenho de maneira geral. A escolha entre nariz e boca depende da intensidade e da situação: se a respiração nasal é confortável, pode ser mantida; quando o corpo passa naturalmente a usar a boca, isso acompanha a demanda do exercício.

Texto produzido pela Redação Radar da Arena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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