RIO DE JANEIRO — O Vasco pediu formalmente o Maracanã para enfrentar o Boca Juniors em 20 de outubro, pela semifinal da Copa Sul-Americana. Ainda não há definição sobre o local da partida. São Januário não pode receber o confronto porque a Conmebol exige capacidade mínima de 30 mil torcedores nessa fase.
O estádio também tem Flamengo x Estudiantes marcado para 22 de outubro, pela semifinal da Libertadores. A proximidade entre os jogos ampliou a discussão sobre o tempo necessário para recuperar o gramado. Caso o pedido do Vasco seja negado, o Nilton Santos será a única alternativa do clube no estado do Rio de Janeiro para o duelo continental.
Concessão e calendário
As faixas espalhadas por São Januário, pelo Aterro do Flamengo, pelo Maracanã, por Laranjeiras e pelo Palácio Tiradentes cobraram o consórcio formado por Flamengo e Fluminense, responsável pela administração do complexo. Os protestos ocorreram durante o último fim de semana.
Uma das mensagens dizia: “Respeitem o edital ou revoguem a licitação!”. Os torcedores também citaram o Termo de Referência da concessão. O item 3.2.6 determina que a administração deve ocorrer de maneira não discriminatória em relação aos principais clubes do Rio de Janeiro e às respectivas torcidas.
O item 3.4 estabelece prioridade para partidas de competições oficiais organizadas por Fifa, Conmebol, CBF e Ferj em relação a outros eventos. Os vascaínos ainda mencionam um entendimento que permitiria ao clube realizar até quatro partidas no Maracanã em 2026. A gestão sustenta judicialmente que o documento não foi assinado pelo consórcio.
Gramado no centro do conflito
Em agosto, o Vasco tentou levar ao estádio o jogo de ida contra o Vitória, pelas quartas de final da Copa do Brasil, mas recebeu uma resposta negativa. A administração alegou que o pedido foi feito seis dias antes da partida e que o período entre 23 e 29 de agosto estava reservado para a recuperação do campo.
O gramado também recebeu críticas de jogadores de Flamengo e Fluminense, que usam o Maracanã regularmente. Em entrevista coletiva no dia 11 de setembro, o CEO do estádio, Fred Nantes, afirmou que não havia espaço técnico para acrescentar partidas naquele momento: “Não dá para incluir nenhum jogo a mais na programação.”
Outra faixa dos protestos contrastou eventos musicais e o jogo da NFL marcado para domingo (27), no Maracanã, com as negativas recebidas pelo Vasco. A imagem trazia uma bola de futebol americano e uma guitarra ao lado da palavra “permitido”, enquanto o escudo do clube aparecia junto de “proibido”.



