Clubes e federações de futebol articulam uma audiência com Luiz Inácio Lula da Silva para discutir possíveis mudanças no mercado de apostas. O Governo Federal avalia publicar uma Medida Provisória que restrinja parte das operações das bets, especialmente os cassinos on-line, responsáveis por parcela significativa do faturamento dessas empresas.
A proposta em análise não deve proibir as apostas esportivas. Mesmo assim, os dirigentes avaliam que uma redução nas atividades dos cassinos on-line pode diminuir a capacidade financeira de algumas empresas e afetar os investimentos destinados ao futebol brasileiro, incluindo contratos de patrocínio.
Manifesto e reação nas redes
Na última semana, os principais clubes do país divulgaram um manifesto conjunto. As equipes alertaram para o possível “fim do futebol brasileiro” caso o governo avance com a restrição.
Um levantamento da consultoria Bites analisou publicações de Corinthians, Flamengo, Palmeiras, Santos, São Paulo e Vasco. Mais de 90% dos comentários sobre as bets foram contrários nas publicações do Vasco. No Flamengo, a rejeição chegou a 86%, enquanto os clubes paulistas registraram índice de 85%.
Posição do Flamengo
O Flamengo, signatário da carta divulgada na última quinta-feira (17), voltou a se manifestar na terça (22). O clube afirmou ser favorável ao combate às bets ilegais e defendeu a manutenção do mercado legal, regulado e fiscalizado pelo Estado.
Na avaliação apresentada pelo clube, uma interrupção abrupta poderia afetar contratos de patrocínio já firmados, compromissos financeiros e decisões de investimento e contratação de atletas. O Flamengo também declarou que é necessário ampliar a fiscalização, fortalecer a proteção aos consumidores e impedir a atuação de operadores ilegais.
Possível publicação da MP
Havia expectativa de publicação da Medida Provisória nesta segunda-feira (21), mas essa possibilidade diminuiu. Lula está em Nova Iorque, nos Estados Unidos, para participar da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
Enquanto tentam marcar a audiência, clubes e federações pretendem apresentar ao presidente os efeitos que a eventual medida pode produzir sobre o mercado de patrocínios do futebol. O governo ainda avalia quais operações das casas de apostas seriam atingidas.



