A quimioterapia para o câncer de mama pode provocar boca seca, alterações na saliva, problemas na gengiva e feridas na mucosa. Por isso, oncologistas e dentistas recomendam acompanhamento odontológico antes e durante o tratamento, com atenção a sinais de infecção e à necessidade de procedimentos invasivos.
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 1.410 novos casos de câncer de mama no Distrito Federal em 2026. De janeiro a julho deste ano, a rede pública do DF registrou 4.411 quimioterapias para a doença.
A oncologista Alessandra Leite, coordenadora de oncologia do Hospital Santa Lúcia Norte, afirma que a baixa imunidade provocada pela quimioterapia pode agravar problemas dentais. “As pacientes devem estar com a profilaxia odontológica em dia pois a boca é importante foco de infecção”, alerta.
Feridas que não cicatrizam, dor nos dentes e sangramento gengival devem ser comunicados imediatamente às equipes médica e odontológica. Segundo Alessandra, infecções dentárias podem se intensificar e causar endocardite em pacientes com baixa imunidade.
Atendimento na rede pública
A Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) informou que pacientes oncológicas recebem atendimento no Hospital Regional de Taguatinga (HRT), no Hospital Universitário de Brasília (HUB) e no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF).
No HRT, o cirurgião-dentista integra a Unidade de Oncologia Clínica (UONC) e avalia as pacientes que iniciam o tratamento, mesmo sem queixas ou complicações bucais. No HBDF, entre janeiro e setembro de 2026, foram realizadas 8.762 consultas de retorno e 2.096 primeiras consultas para o tratamento do câncer de mama. O hospital também oferece suporte de odontologia e cirurgia bucal.
Pacientes com mucosite, inflamação da mucosa que pode causar feridas, recebem prioridade conforme a avaliação da equipe. A quimioterapia pode atingir células da mucosa e provocar vermelhidão, sensibilidade, ardência, feridas e úlceras dolorosas. Em casos graves, a dor pode prejudicar a alimentação e exigir o adiamento do tratamento contra o câncer.
Saliva e procedimentos odontológicos
O cirurgião-dentista Gustavo Delmondes, da Benve Odontologia, explica que a redução da saliva pode estar relacionada ao efeito de alguns quimioterápicos, além de desidratação, vômitos e medicamentos como antieméticos e analgésicos.
A paciente Raquel Barbosa Ferreira Gomes, de 49 anos, diagnosticada em março de 2023 com câncer de mama metastático em estágio IV, relatou mudança no paladar e boca seca durante o tratamento. Ela utilizou saliva artificial e produtos indicados pelo dentista.
A médica Luisa Casado recomenda contato constante entre o dentista e a equipe oncológica, especialmente antes de extrações, implantes e cirurgias ósseas. Segundo ela, algumas medicações usadas por pacientes com supressão hormonal podem causar osteopenia e inviabilizar procedimentos invasivos, com risco de necrose.



