SÃO PAULO — O influenciador Lito Sousa morreu nesta quinta-feira (1º), aos 59 anos, 41 dias depois de anunciar o diagnóstico de doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ). O velório ocorreu na manhã desta sexta (2), e o sepultamento estava previsto para as próximas horas.
A DCJ é uma doença neurodegenerativa rara, causada pelo acúmulo anormal de uma proteína chamada príon no cérebro. A condição provoca a perda progressiva de neurônios e tem incidência estimada de 1 a 2 casos por milhão de habitantes por ano, conforme o CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças) dos Estados Unidos.
O neurologista Victor Calil, especialista em cognição e integrante da ABN (Academia Brasileira de Neurologia), explicou que a proteína priônica anormal contamina proteínas saudáveis. Esse processo favorece a degeneração e a morte dos neurônios em ritmo acelerado.
“Uma proteína anormal gera duas [proteínas], que gera quatro, que gera oito”, afirmou Calil. Segundo o médico, a velocidade de progressão pode variar entre os pacientes e ser influenciada pela presença de doenças ou comorbidades.
Dados do Ministério da Saúde indicam que cerca de 90% das pessoas com DCJ morrem em até um ano. Especialistas estimam a sobrevida entre quatro e seis meses, embora existam variações. O neurologista Fábio Porto relatou já ter atendido um paciente que morreu em três meses e outro que viveu por mais de dois anos. Para ele, o intervalo até o diagnóstico pode influenciar o desfecho, porque a doença é rara.
Tratamento e substância experimental
A DCJ não tem cura nem medicamento específico. O atendimento costuma ser paliativo, com remédios voltados ao controle de sintomas como espasmos, dor e crises convulsivas, além da oferta de conforto e bem-estar.
Lito foi diagnosticado em agosto, depois de revelar um câncer de próstata em julho. Em setembro, recebeu a ALN-6457, substância experimental desenvolvida pela Regeneron Pharmaceuticals, dos Estados Unidos. O composto ainda estava em etapa anterior ao desenvolvimento clínico, sem estudos formalmente iniciados em seres humanos.
Em 14 de setembro, Mila Seidl informou que o marido havia recebido a substância sem intercorrências atribuídas ao tratamento. Naquele momento, Lito estava internado na UTI do Hospital Israelita Albert Einstein devido à evolução da doença.
Os médicos consultados não apontaram ser possível determinar se a droga provocou efeitos adversos ou acelerou a morte. O acesso foi solicitado por meio do uso compassivo, destinado a pacientes sem outras opções disponíveis. “Se você não toma, também, o desfecho já é aquele”, disse Mila na ocasião.




