A lista de quase 700 produtos livres do tarifaço de Trump não inclui os calçados, que passarão a pagar 50% de imposto nos Estados Unidos. Entre os itens que ficaram fora da cobrança estão aeronaves, suco de laranja, celulose, castanha, ferro, combustíveis e automóveis.
O setor calçadista gaúcho emprega 82 mil pessoas e reúne 1,8 mil empresas. Até junho, as exportações para os Estados Unidos alcançaram 5,8 milhões de pares, com faturamento de US$ 111,8 milhões. A receita cresceu 7,2% em relação ao mesmo período de 2024, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados).
Os Estados Unidos são o segundo maior comprador de calçados do Rio Grande do Sul, atrás apenas da Argentina. A avaliação apresentada é que a nova tarifa inviabiliza as exportações gaúchas para o mercado americano.
No ano passado, a indústria do estado produziu 203 milhões de pares. Em 2024, foram exportados mais de 32 milhões de pares, o equivalente a 15% da produção.
Pressão política no Vale do Sinos
A cobrança por respostas é dirigida ao bolsonarismo, que atua no Vale do Sinos, além de Eduardo Bolsonaro, deputados de direita da região e ao governador. O questionamento envolve a capacidade desses grupos de evitar a taxação e a responsabilidade pelo impacto sobre empresários, trabalhadores e moradores do principal polo calçadista do Brasil.
Na eleição de 2022, Bolsonaro venceu em quase todos os municípios do Vale do Sinos e do entorno. Os percentuais listados variam de 55,94% a 71,61% para Bolsonaro e de 28,39% a 44,05% para Lula. Em São Sebastião do Caí, o resultado foi de 63,59% a 36,41%.




