A Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) estima que o tarifaço pode provocar até 145 mil demissões no estado. A projeção considera os impactos sobre exportadoras e também sobre fornecedores de embalagens, suprimentos e outros insumos.
Os industriais levaram as reivindicações a Geraldo Alckmin, presidente da República em exercício, na segunda-feira (21). O presidente da Fiergs, Claudio Affonso Amoretti Bier, comparou o efeito esperado à tragédia climática que atingiu o estado em 2024. “É como se fosse uma segunda enchente para o nosso estado”, afirmou.
Neste primeiro momento, empresas têm adotado férias coletivas para enfrentar a incerteza provocada pela nova tarifa. Bier disse que as demissões podem ocorrer em uma etapa seguinte, caso não haja um acordo entre os governos brasileiro e norte-americano.
Setores afetados
A delegação levada a Brasília reuniu representantes de setores como móveis, couro, plástico e madeira. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), empresas associadas já adotaram férias coletivas para preservar empregos, enquanto outras avaliam desligamentos.
A Fiergs afirma que o Rio Grande do Sul é o segundo estado brasileiro em exportações para os Estados Unidos, atrás de São Paulo. Algumas indústrias gaúchas têm até 95% do faturamento vinculado às vendas para o mercado norte-americano.
A entidade defende uma postura diplomática e a prorrogação da tarifa para ampliar o período de negociação e permitir a adaptação dos exportadores. Alckmin, que vem reunindo o setor produtivo com um comitê interministerial desde a terça-feira da semana passada (15), informou que o pedido não poderia ser feito antes do fim do prazo concedido ao Brasil.
A orientação transmitida aos empresários foi que mercadorias já vendidas aos Estados Unidos e que chegarem ao país após 1º de agosto também estarão sujeitas à alíquota de 50%. Empresas tentaram antecipar os embarques por avião, mas os voos ficaram lotados.
Bier classificou a reunião como amistosa e defendeu o diálogo para evitar o agravamento da disputa comercial. A cobrança anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, em 9 de julho, prevê a aplicação de 50% sobre produtos brasileiros que entrarem no mercado norte-americano a partir de 1º de abril.



