Deputados federais do PSOL e da Rede Sustentabilidade pediram à Procuradoria-Geral da República a abertura de investigação sobre a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nos Estados Unidos. Eles afirmam que o parlamentar pode ter atentado contra a soberania nacional ao solicitar que o governo norte-americano classificasse o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.
A representação foi protocolada na sexta-feira (29) e é assinada por Fernanda Melchionna, Sâmia Bomfim, Duda Salabert, Luiza Erundina, Heloísa Helena, Luizianne Lins e Chico Alencar. O documento relata que Flávio esteve em Washington D.C. entre os dias 26 e 29 de maio, quando se reuniu com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e com o secretário de Estado, Marco Rubio.
Segundo os parlamentares, a iniciativa representaria interferência na condução das relações internacionais do Brasil, atribuição reservada pela Constituição ao presidente da República. Eles também sustentam que a classificação poderia permitir sanções econômicas e ações previstas na legislação norte-americana de combate ao terrorismo.
Os deputados pedem à PGR a instauração de inquérito policial federal para apurar eventual crime de atentado à soberania nacional, previsto no artigo 359-I do Código Penal. Também solicitaram o envio dos fatos ao Tribunal Superior Eleitoral, para avaliar possíveis elementos de abuso de poder ou influência estrangeira no processo eleitoral.
A pré-campanha de Flávio Bolsonaro classificou a representação como uma tentativa da esquerda de usar o Judiciário em seu projeto político. Em nota, afirmou que buscar apoio internacional para combater as facções é uma iniciativa que o grupo assume “com convicção”.
Pedido relacionado a Eduardo Bolsonaro
Neste sábado, o deputado Lindbergh Farias pediu ao Supremo Tribunal Federal que a decisão dos Estados Unidos fosse incluída como fato novo no processo contra Eduardo Bolsonaro. O parlamentar responde a uma ação no STF por suspeita de articular, nos Estados Unidos, sanções contra o Brasil e integrantes de instituições brasileiras em 2025.
Lindbergh afirmou que a atuação de Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, Jair Bolsonaro e Paulo Figueiredo poderia estar relacionada a uma tentativa de pressionar instituições brasileiras e dificultar a cooperação penal internacional. Para ele, a classificação das facções também poderia restringir o acesso de autoridades brasileiras a informações sobre investigações financeiras.
Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025. Segundo a denúncia, ele teria atuado no país para interferir no julgamento de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
Na semana passada, Lindbergh já havia pedido a inclusão de Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro na investigação. O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, encaminhou a solicitação à PGR para manifestação. A nova petição busca acrescentar elementos à análise antes da posição final da Procuradoria sobre a ampliação do inquérito.



