O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) admitiu ter negociado com Daniel Vorcaro, do Banco Master, pagamentos para financiar um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A declaração veio após a divulgação de mensagens e áudios em que o senador cobrava parcelas do banqueiro.
Antes disso, Flávio negava qualquer ligação com Vorcaro e associava o escândalo do banco ao PT, ao presidente Lula e à esquerda. No último fim de semana, durante um evento de pré-campanha em Santa Catarina, ele usou uma camiseta com a frase “O Pix é do Bolsonaro; o Master é do Lula”. Também defendia a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito para investigar o caso.
Mudança de versão
Flávio afirmou que o acordo envolvia um patrocínio privado para o filme Dark Horse, ainda não lançado. O valor total combinado seria de US$ 24 milhões, equivalente a cerca de R$ 134 milhões na época, dos quais R$ 61 milhões teriam sido repassados.
Em nota, o senador disse que conheceu Vorcaro em dezembro de 2024, quando ainda não havia acusações contra o banqueiro. Segundo Flávio, os pagamentos foram interrompidos e ele passou a cobrar as parcelas restantes. “Sim, tinha um contrato”, afirmou.
O senador negou ter oferecido vantagens, intermediado negócios com o governo ou recebido benefícios. Também voltou a pedir a abertura de uma CPI do Banco Master.
Na mesma quarta-feira em que admitiu a negociação, Flávio havia respondido “É mentira” ao ser questionado sobre o financiamento. Em 23 de março, ao comentar o caso, chamou de “narrativa falsa que o Lula tem criado” a associação entre sua família, a direita e Vorcaro.
Acusações contra o PT
Flávio também acusou Rui Costa e Jaques Wagner de terem relação com a estruturação do modelo de crédito consignado ligado ao CredCesta. Dados enviados pela Receita Federal à CPI que investiga o crime organizado mostram que, entre 2022 e 2024, o Master registrou R$ 2,4 bilhões em receita com a venda dessas operações, enquanto as mesmas carteiras geraram R$ 1,9 bilhão.
Costa afirmou que vendeu um negócio estatal deficitário para reduzir o prejuízo público e negou irregularidades. Wagner também negou envolvimento em negociações ou contratos. Ele disse que, quando era secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia, defendeu a privatização da rede estatal de supermercados ligada ao CredCesta.
Em postagens de 25 de março, 9 de maio e 10 de maio, Flávio voltou a afirmar que o PT não queria investigar o caso e que o Banco Master era ligado a Lula. Em março, também declarou que a ligação do banco com a direita estava “longe de chegar perto da direita”.




