RONDÔNIA — O pecuarista Jairdes Rodrigues passou a criar galinhas-d’angola soltas junto ao gado em uma propriedade na linha 152, a 18 quilômetros de Novo Horizonte do Oeste. A experiência começou com aproximadamente 50 aves e, com o tempo, o plantel chegou a cerca de 500 adultas.
As aves circulavam pela pastagem em busca de alimento e consumiam insetos como cigarrinhas, formigas cabeçudas, lagartas e carrapatos. Jairdes observou uma redução dessas pragas no terreno e relacionou a mudança à presença das galinhas-d’angola.
Criação e atividade pecuária
A propriedade tinha capacidade para aproximadamente 250 bovinos, principalmente destinados à produção de carne, além de manter atividade leiteira. Na época, a produção era de cerca de 450 litros de leite por dia, enviados para laticínios da região.
O produtor também afirmou que os animais de corte passaram a apresentar melhor desenvolvimento, possivelmente em razão das condições do pasto. Essa observação, porém, não comprova que as aves tenham sido diretamente responsáveis pelo ganho de peso.
O plantel cresceu com o uso de chocadeiras próprias. Naquele período, havia ainda encomendas de aproximadamente 600 pintinhos, sinal de que outros criadores demonstravam interesse pela alternativa.
Limites do controle de carrapatos
As galinhas-d’angola têm comportamento de busca por alimento no solo e podem consumir diferentes insetos. Ainda assim, pesquisas indicam que o uso dessas aves contra carrapatos precisa ser avaliado com cautela, porque elas também podem hospedar algumas espécies.
Uma pesquisa publicada no Journal of Medical Entomology não encontrou evidências suficientes para confirmar a eficácia das galinhas-d’angola no controle de carrapatos. Por isso, a criação é tratada como possível ferramenta complementar, e não como substituta de medidas veterinárias.
O relato de Jairdes continua despertando interesse entre pequenos produtores por mostrar uma forma de manejo baseada na observação do comportamento das aves e das condições da pastagem.



