Porto Alegre, Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Brasil

PGR autoriza investigação sobre recursos do filme de Jair Bolsonaro nos EUA

Documento aponta que Eduardo Bolsonaro orientou remessas para financiar Dark Horse, produção avaliada em US$ 24 milhões.

Em mensagem, Eduardo Bolsonaro cita que dinheiro para 'Dark Horse' vindo do Brasil seria 'problemático': 'Ideal seria haver recursos já nos EUA'
Foto: Jornal Nacional/Reprodução

A Procuradoria-Geral da República (PGR) autorizou a abertura de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar o financiamento transnacional do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. O documento, elaborado com base em investigações da Polícia Federal (PF), aponta que Eduardo Bolsonaro teria orientado a gestão e o envio de recursos aos Estados Unidos.

O parecer foi assinado em julho de 2026 pelo procurador-geral Paulo Gonet. A apuração recebeu uma captura de tela de uma conversa atribuída a Eduardo Bolsonaro, mas a PGR não informou quem era o destinatário direto da mensagem. No diálogo, ele avaliou que seria mais simples manter os recursos nos Estados Unidos e mencionou dificuldades caso uma empresa brasileira precisasse fazer os repasses ao exterior.

Altieris Santana, citado na conversa, é identificado como diretor do Havengate Development Fund, fundo sediado no Texas responsável por administrar os valores e transferi-los à produtora Go Up Entertainment.

Contrato e suspeitas sobre os valores

A investigação aponta que empresas teriam sido usadas para operacionalizar repasses destinados à produção. Em dezembro de 2024, o publicitário Thiago Miranda enviou ao banqueiro Daniel Vorcaro uma minuta para o financiamento de Capitão do Povo, nome anterior de Dark Horse. O documento previa investimento de US$ 24 milhões, dividido em 14 parcelas.

Nos depoimentos, Miranda mencionou pagamentos ao fundo responsável pelo financiamento, o uso de uma empresa nas Bahamas para fazer transferências a mando de Vorcaro e a compra de malas destinadas à entrega de dinheiro em espécie.

A PF afirmou que o volume financeiro previsto destoava dos parâmetros do mercado audiovisual nacional. Para os investigadores, essa diferença exige verificar a viabilidade econômica do projeto e a destinação efetiva dos recursos.

Participação de Flávio Bolsonaro

O parecer da PGR também aponta tratativas de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro sobre repasses, reuniões e o acompanhamento das gravações. Em setembro de 2025, Thiago Miranda informou ao banqueiro que o senador queria encontrá-lo para mostrar trechos do filme. No dia seguinte, houve uma ligação entre Flávio e Vorcaro durante a realização de uma remessa da Entre Investimentos para o fundo nos Estados Unidos.

A representação da PF pede esclarecimentos sobre a origem do dinheiro, o uso da Entre Investimentos, a função da Havengate Development Fund, os beneficiários finais e a atuação de Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e outros envolvidos.

Em entrevista à GloboNews em maio, Flávio negou que os recursos tenham sido destinados a Eduardo e declarou: “Todos os recursos que foram aportados neste fundo, que é específico para a produção do filme, foram usados integralmente para fazer o filme”. A defesa do senador não havia enviado resposta até a última atualização, e a TV Globo tentava contato com Eduardo Bolsonaro.

Texto produzido pela Redação Radar da Arena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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