Porto Alegre, Sábado, 26 de setembro de 2026
Brasil

Projeto econômico de Bolsonaro ampliou desigualdade e enfraqueceu direitos, diz análise

A política econômica do governo Bolsonaro é apresentada como um conjunto de medidas que reduziu a proteção social e o patrimônio público.

Vamos privatizar as praias (memórias do governo Bolsonaro)
Foto: Vi Neves/Flickr

O projeto econômico do governo Bolsonaro é descrito como uma experiência de austeridade, privatizações e redução de direitos que não entregou o crescimento prometido. Entre 2019 e 2022, o PIB brasileiro avançou, em média, 1,4% ao ano, abaixo dos 2,7% da economia mundial e dos 3,3% dos países em desenvolvimento, segundo o FMI.

A política adotada também é associada ao abandono da valorização do salário mínimo, ao retorno do país ao Mapa da Fome, ao aumento da desigualdade e à redução de direitos por meio de reformas. Na Previdência, Jair Bolsonaro e Paulo Guedes defendiam trocar o regime público de repartição pela capitalização individual. O Congresso rejeitou essa proposta, mas aprovou uma reforma que elevou idades e tempos de contribuição e reduziu benefícios.

Outra proposta previa condicionar direitos como saúde, educação, alimentação, moradia e previdência ao chamado equilíbrio fiscal intergeracional. Nessa formulação, a garantia dos direitos passaria a depender das prioridades da austeridade fiscal.

Pandemia e proteção social

Durante a pandemia, Guedes afirmou que R$ 5 bilhões seriam suficientes para “aniquilar” o vírus e propôs auxílio de R$ 200 aos trabalhadores informais. O Congresso elevou o benefício para R$ 600. O Auxílio Emergencial alcançou quase 68 milhões de pessoas.

O governo reduziu e suspendeu o auxílio no fim de 2020. Em março de 2021, o país registrava cerca de três mil mortes por dia e milhões de brasileiros estavam sem benefício. O programa voltou em abril, com valor médio menor e alcance mais restrito. Naquele ano, mais de 420 mil pessoas morreram de Covid-19, enquanto a pobreza atingiu 62,5 milhões de brasileiros, ou 29,4% da população.

Privatizações e combustíveis

O BNDES reduziu sua carteira de participações e perdeu capacidade de financiar investimentos de longo prazo. A Petrobras vendeu a BR Distribuidora, refinarias, gasodutos, campos de petróleo e outros ativos estratégicos. A manutenção da paridade internacional dos combustíveis contribuiu para transferir às famílias os efeitos da alta do petróleo.

Em 2021, a inflação chegou a 10%. No mesmo período, a gasolina subiu 47,5%, o diesel, 46%, e o gás de cozinha, 37%.

A proposta de vender praias também aparece como símbolo dessa política. Em setembro de 2022, Paulo Guedes mencionou a possibilidade de negociar uma praia com um grupo estrangeiro que, segundo ele, pagaria US$ 1 bilhão. Na ocasião, afirmou: “Quando é do governo não é de ninguém”.

A análise sustenta que a pandemia agravou a crise, mas não explica sozinha as escolhas feitas durante o governo. Para o autor, enfraquecer direitos, reduzir a proteção social e transformar patrimônio público em oportunidade de negócio aprofundou a insegurança, a desigualdade, a fome e a dependência.

Texto produzido pela Redação Radar da Arena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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