O proprietário Gustavo, de 41 anos, encontrou parte do teto do banheiro destruída por um vazamento ao retornar ao apartamento, mantido fechado durante oito meses. Ele havia passado esse período em outra cidade por causa de um trabalho temporário.
Logo na entrada, o cheiro forte de umidade chamou a atenção. No banheiro, havia pintura estufada, reboco solto, manchas escuras e resíduos espalhados pelo chão. Os outros cômodos permaneciam praticamente como tinham sido deixados.
A posição do dano levou Gustavo a suspeitar que a água pudesse ter vindo do apartamento superior. Ao conversar com o morador de cima, ele soube que um problema no banheiro daquela unidade havia sido identificado meses antes.
O vizinho afirmou que um profissional foi contratado para interromper o vazamento e que tentou avisar Gustavo sobre a possibilidade de danos no andar inferior. As tentativas teriam sido feitas por meio de conhecidos e da administração do condomínio, mas não houve contato com o proprietário. Como não havia uma chave do apartamento disponível com terceiros, a situação não pôde ser verificada internamente.
Origem do vazamento define responsabilidade
Antes de iniciar a reconstrução, o síndico recomendou uma vistoria para identificar a origem exata da água. Se o problema tiver começado em uma instalação de uso exclusivo do imóvel superior, o proprietário daquela unidade poderá ser responsabilizado pelos prejuízos comprovados.
Caso a infiltração tenha origem em uma tubulação ou estrutura comum do edifício, a responsabilidade poderá ser do condomínio. Os artigos 186 e 927 do Código Civil estabelecem regras gerais para a reparação de danos causados a terceiros, mas a definição depende da comprovação da origem e das circunstâncias do problema.
Fotografias, vídeos, mensagens, registros do condomínio, comprovantes de manutenção e um laudo técnico podem ajudar antes da reconstrução. Também é necessário confirmar que a causa do vazamento foi resolvida. Refazer o forro e a pintura sem eliminar a origem da água pode ocultar o problema e permitir que os danos reapareçam.


