Um estudo brasileiro estima que a redução da inatividade física poderia evitar até 569.548 casos de demência no país até 2050. No mesmo cenário, a economia em custos de saúde chegaria a R$ 23,1 bilhões.
A pesquisa, publicada em 2026 no Brazilian Journal of Psychiatry, foi realizada por uma colaboração entre UFPel, UFRGS e University of Southern California. Os pesquisadores cruzaram dados da PNS 2019, informações sobre custos do tratamento e estimativas do Global Burden of Disease.
Projeções para diferentes níveis de atividade
O modelo considerou inativa a pessoa que pratica menos de 150 minutos semanais de exercícios moderados a vigorosos. A análise calculou três situações até 2050.
Na hipótese de eliminação total da inatividade, seriam prevenidos 569.548 casos de demência. Em um cenário de intervenção mínima, com 10 minutos diários de caminhada ou exercício moderado, a estimativa foi de 219.412 diagnósticos evitados entre pessoas anteriormente sedentárias.
Já a prática de 10 minutos diários de exercício intenso poderia evitar 420.180 casos no mesmo grupo.
O estudo também calculou que a inatividade física esteve associada a 14,9% dos casos registrados em 2019.
Estimativa populacional não define risco individual
Os resultados são projeções sobre o possível efeito de políticas e mudanças de comportamento em larga escala. A pesquisa não realizou um ensaio controlado para acompanhar a ocorrência de demência em pessoas submetidas a diferentes níveis de atividade física.
Por isso, os dados não provam que 10 minutos de exercício por dia sejam suficientes para impedir a demência em qualquer indivíduo. A estimativa indica o impacto potencial da redução do sedentarismo na população, e não uma garantia de prevenção individual.
A atividade física pode melhorar fatores relacionados ao funcionamento cerebral, como pressão arterial e saúde dos vasos sanguíneos. Também pode contribuir para o controle do diabetes, a manutenção de um peso saudável, a qualidade do sono e o bem-estar psicológico.
Atividade física é parte da prevenção
Em 2026, a Organização Mundial da Saúde atualizou suas recomendações para reduzir o risco de declínio cognitivo e demência. Entre as estratégias estão a prática de atividade física, a alimentação saudável, o abandono do tabagismo, a redução do consumo prejudicial de álcool e o controle da pressão arterial, do colesterol e da glicemia.
A OMS também afirma que a idade é o principal fator de risco conhecido, mas envelhecer não significa necessariamente desenvolver demência. A organização estima que mais de 57 milhões de pessoas vivam atualmente com a condição no mundo e que ocorram quase 10 milhões de novos casos por ano.
As recomendações gerais para adultos indicam de 150 a 300 minutos semanais de atividade aeróbica moderada ou de 75 a 150 minutos de atividade vigorosa, além de exercícios de fortalecimento muscular em pelo menos dois dias da semana.
Caminhada, corrida, ciclismo, natação, dança, musculação e esportes coletivos podem fazer parte de uma rotina ativa. Para quem não se exercita, começar com uma caminhada curta pode ser uma forma de aumentar o movimento gradualmente.
A prevenção também envolve manter-se social e cognitivamente ativo e reduzir a exposição à poluição do ar. O estudo mostra que diminuir o sedentarismo poderia reduzir a carga da demência no Brasil, mas não estabelece uma quantidade específica de exercício capaz de proteger cada pessoa.



