MONTES CLAROS — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que o Sistema Único de Saúde (SUS) oferecerá gratuitamente canetas emagrecedoras para pessoas com obesidade. A prioridade inicial será dada a pacientes que aguardam cirurgia bariátrica, e o uso dos medicamentos dependerá de avaliação médica.
O anúncio foi feito nesta quinta-feira (17), durante a visita de Lula ao complexo industrial da Eurofarma, em Montes Claros (MG). O governo ainda não informou quando a oferta começará em escala nacional.
“Essa canetinha vai ser utilizada para cuidar, de graça, das pessoas que tenham obesidade”, afirmou Lula. O presidente também alertou para os riscos do uso sem orientação profissional e rejeitou a distribuição sem critérios clínicos.
Antes da decisão, o Ministério da Saúde já preparava uma avaliação sobre a semaglutida para pacientes do SUS com obesidade grave ou doenças associadas. Em Porto Alegre, o Grupo Hospitalar Conceição iniciou em junho um estudo com cerca de 250 pessoas com indicação para cirurgia bariátrica. A pesquisa considera resultados clínicos, custos e condições operacionais para analisar uma possível ampliação do tratamento na rede pública.
No início de setembro, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse que a incorporação das canetas seria planejada por meio de protocolos específicos e descartou o uso com finalidade apenas estética.
Produção e próximos detalhes
O Ministério da Saúde informou que passou a estimular o registro e a fabricação nacional de medicamentos análogos ao GLP-1, usados no controle da obesidade e do diabetes tipo 2. De acordo com a pasta, o País chegou a 14 canetas registradas, enquanto alguns produtos tiveram redução de até 70% nos preços após o aumento da concorrência.
O anúncio não detalhou quais princípios ativos ou medicamentos serão fornecidos, quantos pacientes serão atendidos, qual será o custo da política nem como ocorrerá a distribuição nacional.
Criado a partir da Constituição de 1988 e regulamentado em 1990, o SUS atende diretamente 76% dos brasileiros, o equivalente a mais de 161 milhões dos 213 milhões de habitantes, conforme números divulgados pelo governo em 19 de setembro do ano passado. O sistema realiza 2,8 bilhões de atendimentos por ano com 3,5 milhões de profissionais.



