NOVA YORK — O Brasil apresentou na Organização das Nações Unidas ações do Sistema Único de Saúde (SUS) voltadas ao diagnóstico e ao acompanhamento de pessoas com doenças raras, além da integração do cuidado à menopausa na Atenção Primária à Saúde (APS). As iniciativas foram detalhadas nesta quarta-feira (23) pelo secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, em eventos paralelos à Semana de Alto Nível da 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas.
Na agenda sobre doenças raras, Massuda defendeu a inclusão desse público nas estratégias de cobertura universal de saúde. A proposta envolve diagnóstico oportuno, cuidado contínuo e acesso equitativo a tecnologias e tratamentos.
O Brasil tem, desde 2014, uma Política Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Doenças Raras no SUS. A rede especializada reúne 60 serviços habilitados para atender e acompanhar pessoas com diferentes condições raras.
Entre as ações destacadas estão o Programa Nacional de Triagem Neonatal e a implementação do Sequenciamento Completo do Exoma na rede pública. O exame investiga alterações genéticas associadas a doenças e pode ajudar a reduzir a jornada diagnóstica de pacientes e famílias. O Ministério da Saúde também citou mecanismos de compartilhamento de risco para o acesso ao Zolgensma, usado no tratamento da atrofia muscular espinhal (AME).
Cuidado na menopausa
Em outro evento, o secretário-executivo abordou a necessidade de incorporar de forma permanente a atenção à menopausa aos sistemas de saúde. A APS foi apresentada como ponto de entrada para acompanhamento contínuo, orientação, prevenção, atenção clínica e encaminhamento para outros serviços quando necessário.
As iniciativas brasileiras incluem formação de profissionais, elaboração de orientações nacionais para a transição menopausal e a menopausa e disseminação de boas práticas no SUS. O cuidado deve considerar saúde mental, autocuidado, hábitos de vida saudáveis e tratamentos adequados, sem transformar um processo fisiológico em doença.
“O cuidado equitativo exige reconhecer as diferentes realidades vivenciadas pelas mulheres”, afirmou Massuda. Ele também destacou a necessidade de participação do Ministério da Saúde, estados, municípios, gestores, trabalhadores, instituições de ensino e pesquisa, sociedades científicas e das próprias mulheres.
Ainda nesta quarta-feira (23), Massuda participou de debate sobre produção regional de medicamentos para Aids e outras pandemias. O Brasil defendeu a ampliação do acesso a medicamentos, o fortalecimento da produção de tecnologias de saúde e a experiência de resposta ao HIV/aids baseada no SUS, na oferta universal e gratuita de medicamentos e na participação da sociedade civil.
A programação do Ministério da Saúde em Nova York segue até sexta-feira (25), com discussões sobre saúde global e cooperação internacional.


