A letra de Tom Moran foi reconhecida imediatamente por sua irmã, Carmen Rossiter, ao receber a fotografia de um bilhete encontrado dentro de uma garrafa no Deserto Ocidental do Egito. O papel, escrito à mão em maio de 1977, permaneceu protegido por quase cinco décadas antes de voltar a circular e chegar à família do autor.
A descoberta ocorreu na região de Wadi Jadid, durante uma expedição conduzida pelo guia beduíno Suleiman Zidan. A garrafa de vidro estava parcialmente coberta por areia, entre vestígios antigos em uma área rochosa. No interior, havia uma mensagem com as informações “May 1977; Tom Moran; Party 6305; ‘Avich’ Bay Street; Malta” e um pedido para que o encontrador procurasse saber mais sobre Moran.
Das pistas à família
Os dados não indicavam uma cidade maltesa. Ainda assim, uma consulta a registros antigos relacionou o nome e o endereço a Marsaskala, em Malta. A partir daí, os responsáveis pela descoberta buscaram ajuda em um grupo de moradores da região nas redes sociais e chegaram a Carmen.
No início, ela suspeitou que a mensagem pudesse ser uma brincadeira. O reconhecimento da caligrafia, porém, mudou a interpretação do achado: o bilhete havia sido escrito por seu irmão, morto décadas antes.
A história de Tom Moran
Segundo Carmen, Moran trabalhou no Egito como geofísico de uma empresa norte-americana de exploração de petróleo. Antes, deixou a escola aos 16 anos e entrou no Exército britânico. A carreira o levou também à Arábia Saudita e a Papua-Nova Guiné.
Mais tarde, ele atuou na divisão de exploração de petróleo do governo de Malta. Moran morreu em 1998, aos 54 anos, sem saber que o papel deixado no deserto continuaria preservado.
A aridez e o isolamento da área contribuíram para a conservação. A garrafa também manteve o papel protegido das condições externas. Zidan e seu primo e parceiro de negócios, Ayman Zidan, exploravam o local para identificar e mapear antigas rotas de caravanas de camelos quando encontraram o objeto, junto de um tanque de água de aço rebitado e folhas de palmeira desgastadas pelo tempo.
Depois de décadas no deserto, a mensagem passou pelas redes sociais, levou os envolvidos até Malta e terminou nas mãos da irmã de Moran.



