A Fatal Model ofereceu mais de R$ 100 milhões ao Flamengo para ocupar o espaço máster da camisa por um ano, mas o valor representa menos da metade do que a Betano paga por temporada. A proposta foi enviada no domingo (27), enquanto a diretoria também avalia a Lubrax como possível substituta.
A Betano repassa cerca de R$ 268 milhões por temporada ao clube, em contrato válido até o fim de 2028. A empresa, porém, sinalizou informalmente o risco de encerrar o acordo. De acordo com uma avaliação interna, os patrocínios ligados às apostas correspondem a até 20% da receita prevista pelo Flamengo: 15% vêm da Betano e 5%, da Brax. O presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, estima prejuízo acima de R$ 400 milhões.
Contratos e despesas
Em entrevista ao Mengo Cast, divulgada nesta segunda-feira (28) pela FlamengoTV, Bap afirmou que o Flamengo não consegue, no momento, honrar compromissos assumidos em contratos legais. O dirigente disse que o dinheiro destinado a reforços poderá ser usado para despesas jurídicas e que o clube busca novos patrocinadores, com valores inferiores aos atuais.
“Vamos deixar de contratar jogadores e contratar advogados”, afirmou Bap. Ele também questionou como o Flamengo pagará Lucas Paquetá em janeiro. O meia foi contratado junto ao West Ham (ING), com pagamento parcelado.
Segundo o presidente, a medida também afeta a folha do futebol, os esportes olímpicos e os campeonatos regionais. Bap criticou ainda o momento da decisão, tomada poucos dias antes do primeiro turno das eleições, e descartou pedir ajuda do Governo para quitar dívidas.
Disputa sobre a medida
A Medida Provisória 1.394/2026 proibiu as casas de apostas no Brasil e entrou em vigor imediatamente. O texto precisa ser aprovado por deputados e senadores, tem validade de 60 dias, prorrogáveis por mais 60, e perde efeito se não for votado nesse período.
Na segunda-feira (28), a Associação Nacional de Jogos e Loterias e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável acionaram o ministro Luiz Fux no Supremo Tribunal Federal e pediram a suspensão imediata da MP. O Sinafut também solicitou a suspensão e quer atuar como amigo da corte. Como alternativa, o sindicato defende a preservação dos contratos até 31 de dezembro de 2026.
Bap pediu que o Supremo Tribunal Federal ou o Congresso Nacional rejeite a medida. O BNDES, por ora, descartou uma linha de crédito para auxiliar os clubes afetados.



