O Flamengo estima que a suspensão das casas de apostas pode comprometer receitas futuras, pagamentos e contratos do clube. O presidente Luiz Eduardo Baptista, conhecido como Bap, afirmou que a medida ameaça compromissos de médio e longo prazo assumidos com base em acordos legais.
A Medida Provisória foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta-feira (25), em São Paulo, e entrou em vigor imediatamente após ser publicada em edição extra do Diário Oficial da União. Pelo cronograma, os usuários podem retirar saldos até as 23h59 de 5 de outubro. Depois desse prazo, as plataformas deixam de funcionar, e as marcas ligadas a contratos de patrocínio também precisam ser retiradas.
Impacto nas contas do Flamengo
Em entrevista divulgada nesta segunda-feira (28) na FlamengoTV, Bap citou Lucas Paquetá como exemplo das obrigações afetadas. O meia foi contratado do West Ham (GBR) com pagamento parcelado, e o dirigente questionou: “Como vou pagar o Paquetá em janeiro?”
O presidente também disse que o clube não precisa de ajuda do Governo para pagar dívidas. Segundo ele, a medida pode atingir a folha do futebol, contratações, pagamentos e esportes olímpicos. Bap afirmou ainda que a decisão causa insegurança jurídica e pode enfraquecer o futebol brasileiro, enquanto fortalece o futebol argentino.
Em entrevista ao Poder360 na sexta-feira (25), Bap havia projetado prejuízo de até R$ 430 milhões ao Flamengo em 2027 e admitido que não havia plano B para substituir a receita no curto prazo. O principal risco envolve o patrocínio máster da Betano, avaliado em cerca de R$ 268 milhões por temporada até o fim de 2028. A empresa sinalizou informalmente a possibilidade de encerrar o acordo.
Reações à medida
Clubes discutiram uma linha de crédito com juros reduzidos para compensar perdas, mas o BNDES descartou, por enquanto, a criação do socorro financeiro. O Flamengo já havia participado, em 17 de setembro, do manifesto “Fim do futebol”, que defendia a manutenção do mercado regulado de apostas.
A disputa também chegou ao Supremo Tribunal Federal. Nesta segunda-feira (28), o Sinafut pediu a suspensão da medida e propôs uma transição até pelo menos o fim da temporada de 2026. Até a noite do mesmo dia, o ministro Luiz Fux não havia decidido sobre os pedidos apresentados ao STF.
A MP ainda precisa ser votada pelo Congresso Nacional em até 120 dias para virar lei. Bap classificou a decisão como “intempestiva e extemporânea” e criticou o fato de ela ter sido tomada a uma semana da eleição.



