A FDA autorizou o apitegromabe, comercializado como Isembyld, para o tratamento da atrofia muscular espinhal (AME) em adultos e crianças a partir de 2 anos. O medicamento é indicado para pacientes que já recebem tratamento direcionado ao gene SMN2 e foi desenvolvido para atuar diretamente sobre a perda de massa muscular.
Produzido pela Scholar Rock, o apitegromabe é um anticorpo monoclonal que bloqueia a ação da miostatina, proteína que limita naturalmente o crescimento dos músculos. O medicamento se liga à forma precursora da proteína e impede parte do processo que reduz o desenvolvimento muscular.
Resultados em pacientes com AME
A segurança e a eficácia foram avaliadas em um estudo clínico de 52 semanas com 188 pacientes entre 2 e 21 anos. Eles não conseguiam andar ou se deslocar de forma independente e já recebiam terapias direcionadas ao gene SMN2.
Os participantes receberam 10 mg/kg ou 20 mg/kg de apitegromabe por infusão intravenosa, ou placebo. As aplicações ocorreram a cada quatro semanas. Na principal análise, que considerou 156 crianças entre 2 e 12 anos, o grupo que recebeu 10 mg/kg apresentou melhora da função motora após aproximadamente um ano, enquanto o grupo placebo teve declínio.
Os pacientes tratados tiveram probabilidade mais de duas vezes maior de alcançar uma melhora considerada clinicamente significativa. Entre as reações adversas mais frequentes estavam infecções das vias respiratórias superiores, vômitos, tosse, infecções virais, dor de cabeça, gastroenterite e faringite. Também houve aumento do risco de fraturas, inclusive casos graves. O medicamento pode causar danos ao feto e interferir na função reprodutiva.
A AME é causada por alterações no gene SMN1, responsável pela produção de uma proteína necessária à sobrevivência dos neurônios motores. A doença afeta aproximadamente um em cada 10 mil nascidos vivos e está entre as principais causas genéticas de morte infantil.
Estudos sobre emagrecimento
A Scholar Rock também investiga o apitegromabe para preservar massa magra durante o emagrecimento provocado por medicamentos como a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro. Em um estudo de fase 2 com 102 adultos com sobrepeso ou obesidade, os participantes receberam tirzepatida por 24 semanas, sozinha ou combinada ao apitegromabe.
A perda total de peso foi semelhante nos grupos. Entre os participantes que receberam tirzepatida e placebo, 30,2% da redução correspondeu à perda de massa magra. Com a combinação, a proporção foi de 14,6%. Os pacientes tratados com apitegromabe perderam 1,9 quilo a menos de massa magra, o que representou preservação muscular 54,9% maior.
O uso contra a obesidade ainda não foi autorizado. Essa indicação precisa ser avaliada em estudos clínicos de fase 3. A aprovação da FDA vale exclusivamente para a AME.
O endocrinologista Ramon Marcelino afirmou que os resultados ainda não justificam o uso rotineiro contra a obesidade. “Não há, neste momento, nenhuma indicação aprovada de inibidores de miostatina para obesidade, e o uso fora da bula, sem estudos que comprovem segurança, não é recomendado”, disse.
O tratamento deve custar cerca de US$ 310 mil por ano para um paciente típico, aproximadamente R$ 1,7 milhão. A Scholar Rock busca parceiros para realizar os estudos de fase 3 e avaliar a preservação e a recuperação da massa muscular em combinação com a tirzepatida.



