Um exemplar de pangolim coletado em 1836 teve o DNA analisado quase dois séculos depois e ajudou pesquisadores a resolver uma dúvida sobre a identidade da espécie. O material genético confirmou que o animal pertence ao pangolim-do-Himalaia, chamado cientificamente de Manis aurita, encontrado em áreas do Nepal e do norte da Índia.
O exemplar foi coletado pelo naturalista Brian Houghton Hodgson, no Nepal. Na época, Hodgson identificou o animal como uma espécie própria e usou o nome Manis aurita. Mais tarde, a classificação mudou, e o pangolim passou a ser tratado como uma subespécie do pangolim-chinês.
A questão voltou a ser discutida depois que pesquisadores identificaram uma linhagem distinta de pangolins do Himalaia e propuseram, em 2025, o nome Manis indoburmanica. Para esclarecer a relação entre os animais, a equipe extraiu e sequenciou o DNA preservado no exemplar histórico e comparou o resultado com genomas de animais atuais.
A análise mostrou que os pangolins modernos avaliados pertenciam à mesma linhagem do animal coletado por Hodgson. Com isso, os cientistas concluíram que o nome mais antigo, Manis aurita, deve ser recuperado.
Relevância para a conservação
Segundo Anderson Feijó, curador-assistente de mamíferos do Field Museum e um dos autores correspondentes da pesquisa, a identificação correta das espécies é necessária para orientar ações de conservação. “Não podemos proteger o que não conhecemos”, afirmou.
Os dados genéticos também podem ajudar a determinar a origem de animais ou escamas apreendidos no comércio ilegal. Como os pangolins são comercializados principalmente pelas escamas, investigadores frequentemente encontram apenas partes dos animais, o que dificulta a identificação da espécie capturada.
A pesquisa aponta ainda que a linhagem do pangolim-do-Himalaia se separou da do pangolim-chinês há aproximadamente 1,8 milhão de anos. Os animais apresentam diferenças físicas, incluindo maior tamanho corporal, cauda mais longa e orelhas menores.
A distinção pode ajudar pesquisadores e autoridades a identificar quais populações são atingidas pelo comércio ilegal e a direcionar medidas de proteção. O material preservado desde o século XIX permitiu recuperar um nome científico e ampliar o conhecimento sobre uma espécie ameaçada.



