A creatina pode melhorar a força muscular de pessoas com 60 anos ou mais quando é combinada com treinamento de resistência. Os efeitos do suplemento usado sozinho e os ganhos de massa muscular ou capacidade funcional ainda não têm conclusão definitiva.
Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2026 analisou 11 ensaios clínicos randomizados com adultos de 60 anos ou mais. Os estudos compararam participantes que fizeram treinamento de resistência com e sem creatina. O grupo que utilizou o suplemento apresentou melhora pequena, mas significativa, na força muscular.
O papel do treinamento
Com o envelhecimento, pode ocorrer redução gradual de massa muscular, força e potência. Essas mudanças podem dificultar tarefas como levantar da cadeira, carregar objetos, subir escadas e manter o equilíbrio.
A creatina participa do sistema de energia rápida das células musculares e pode favorecer a realização de esforços intensos e curtos. A hipótese é que o aumento da disponibilidade desse composto ajude na adaptação ao exercício ao longo do tempo.
A evidência disponível, porém, envolve principalmente pessoas que também fazem treinamento de força. Na revisão de 2026, o benefício mais consistente apareceu na força muscular. Para massa muscular e função física, os resultados não foram definitivos.
Massa muscular e indicação
Algumas revisões anteriores identificaram aumento de massa livre de gordura quando a creatina foi associada ao treinamento de resistência em adultos mais velhos. Análises recentes, porém, apontam variações conforme a população estudada, a duração da intervenção, o método de avaliação e as características do treino. A revisão de 2026 encontrou efeito positivo, mas sem diferença estatisticamente significativa para massa muscular.
A idade, sozinha, não define a necessidade de suplementação. Pessoas com doenças renais ou outras condições clínicas devem conversar com um profissional de saúde antes de iniciar o uso. Os resultados também não devem ser aplicados automaticamente a idosos frágeis, com sarcopenia avançada ou limitações funcionais importantes, grupos que ainda precisam de estudos específicos.
A creatina pode complementar o treinamento, mas não substitui o exercício. Uma estratégia mais ampla inclui treino de força regular, alimentação adequada, ingestão suficiente de proteína, sono adequado e uma rotina ativa. O objetivo é preservar a capacidade de realizar atividades do dia a dia com independência.



