Porto Alegre, Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Saúde e treino

Menopausa mais cedo é associada a mudanças no envelhecimento cerebral

Estudo com 2.603 mulheres encontrou relação entre a idade da menopausa, alterações cerebrais e declínio cognitivo, sem provar causa e efeito.

Menopausa mais cedo é associada a mudanças no envelhecimento cerebral

CAMPINAS, SP — Mulheres que entram na menopausa mais cedo podem apresentar maior acúmulo de alterações na substância branca do cérebro e declínio cognitivo mais acelerado décadas depois. A associação foi identificada em um estudo publicado na Jama Network Open em agosto, que acompanhou 2.603 mulheres por até 18 anos.

O principal resultado envolveu as hiperintensidades da substância branca, áreas que aparecem mais claras em exames de ressonância magnética. Entre as mulheres com menopausa espontânea, uma diferença de cinco anos na idade da menopausa esteve associada a cerca de 15% mais volume dessas alterações ao longo de uma década.

A substância branca reúne fibras nervosas que conectam diferentes regiões do cérebro e participam de funções como memória, atenção e movimento. As hiperintensidades são comuns com o envelhecimento e podem estar relacionadas a mudanças nos pequenos vasos sanguíneos e a danos nas fibras nervosas. Isoladamente, porém, não indicam demência nem significam que a pessoa desenvolverá Alzheimer.

Cognição e Alzheimer

No estudo, quanto mais cedo ocorreu a menopausa espontânea, maior foi a velocidade de acúmulo das hiperintensidades. A relação permaneceu após os pesquisadores considerarem idade, escolaridade, pressão arterial, índice de massa corporal e outros aspectos de saúde.

As participantes que passaram pela menopausa mais cedo também apresentaram declínio mais acelerado da cognição global e, principalmente, da memória episódica, usada para recordar acontecimentos e experiências pessoais.

Uma diferença de dez anos na idade da menopausa esteve associada a cerca de 1,8 ano a menos até o diagnóstico de Alzheimer, conforme o modelo usado na pesquisa. A idade média de diagnóstico da doença entre as participantes foi de 88,4 anos.

O estudo não demonstra que a menopausa precoce provoque Alzheimer. Como o trabalho é observacional, ele identifica associações e não permite estabelecer relação de causa e efeito.

Limitações da pesquisa

Os pesquisadores levantaram a influência do estrogênio como uma possível explicação. O hormônio participa de processos ligados ao funcionamento cerebral, ao metabolismo energético e à regulação da inflamação. Outra hipótese é que um envelhecimento biológico mais acelerado contribua tanto para a menopausa precoce quanto para alterações cerebrais posteriores.

Os dados vieram do Religious Orders Study e do Rush Memory and Aging Project. Das 2.603 mulheres analisadas, 774 fizeram exames de ressonância magnética repetidos. As participantes foram divididas entre aquelas com menopausa espontânea e as que passaram por menopausa cirúrgica.

A associação entre menopausa mais precoce e hiperintensidades foi mais evidente no grupo de menopausa espontânea. Já as relações com declínio cognitivo e com o tempo até o diagnóstico de Alzheimer foram mais pronunciadas entre as mulheres com menopausa cirúrgica.

A idade da menopausa foi informada pelas próprias participantes, e as características demográficas da população analisada podem limitar a aplicação dos resultados a outros grupos. Também não é possível descartar completamente a influência de fatores adicionais.

Texto produzido pela Redação Radar da Arena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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