Porto Alegre, Sábado, 26 de setembro de 2026
Saúde e treino

Escolha do paciente amplia proteção com PrEP, aponta pesquisa da Fiocruz

Estudo acompanhou 1.447 usuários do SUS e comparou resultados das versões injetável e oral da prevenção ao HIV.

Escolha do paciente amplia proteção com PrEP, aponta pesquisa da Fiocruz

A escolha da forma de prevenção foi associada a maior adesão à PrEP e a menos novas infecções por HIV, segundo estudo da Fiocruz publicado nesta quinta-feira (24) na revista Lancet. A pesquisa acompanhou 1.447 usuários do SUS em seis serviços de saúde.

Entre os participantes que escolheram o cabotegravir injetável, a proteção ocorreu em 91% do período observado. Na versão oral, o índice foi de 47%. A rotina padrão do sistema público registra 35%.

A incidência também variou entre os grupos. Em uma projeção com mil pessoas acompanhadas durante um ano, seriam esperadas duas novas infecções entre as que usaram a PrEP injetável, cerca de nove entre as que adotaram a versão oral e 15 na rotina padrão do SUS.

Adesão e preferência

A maioria dos participantes escolheu a forma injetável: 83%, ou 1.201 pessoas. A versão oral foi adotada por 17%, equivalente a 246 pessoas. O grupo era formado por homens cisgêneros, homens e mulheres transgênero, pessoas não binárias e queer, com idades entre 18 e 30 anos, resultado negativo para HIV e sem uso anterior de PrEP.

Entre os usuários da injetável, 78% relataram dificuldade para tomar o comprimido todos os dias. Na escolha da PrEP oral, os motivos mais citados foram aversão às injeções, por 46%, e a percepção de que seria mais fácil lembrar do comprimido diariamente, por 34%.

A pesquisadora principal, Beatriz Grinsztejn, infectologista do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, afirmou que as duas formas são altamente eficazes. Para ela, a versão injetável deve ampliar as alternativas disponíveis, sem substituir a oral.

“Empoderar o paciente é a forma mais eficaz de prevenir o HIV”, disse Beatriz. A aplicação do cabotegravir ocorre com intervalo de um mês entre a primeira e a segunda dose e, depois, a cada dois meses. A PrEP oral combina tenofovir disoproxil fumarato e emtricitabina em um comprimido de uso diário.

Análise para entrada no SUS

O estudo foi realizado em Campinas, Florianópolis, Manaus, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, com participantes observados entre outubro de 2023 e o mesmo mês de 2025. Os serviços foram escolhidos para representar as regiões do país, com foco em centros urbanos com alta prevalência de HIV.

O Ministério da Saúde anunciou em julho um acordo de compra do cabotegravir, desenvolvido pela ViiV Healthcare, empresa majoritariamente controlada pela GSK. A Anvisa aprovou o medicamento em 2023, e a comercialização no mercado privado começou em agosto de 2025.

A incorporação ao SUS está sob análise da Conitec, sem previsão informada para a disponibilização. Em janeiro, a Anvisa aprovou o lenacapavir, outra opção injetável, com aplicação a cada seis meses. Os valores do medicamento ainda são desconhecidos.

Texto produzido pela Redação Radar da Arena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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