Um ensaio clínico randomizado publicado em 2026 associou oito semanas de pickleball a melhorias na capacidade física, redução do comportamento sedentário e avanços na qualidade de vida de adultos mais velhos com pré-fragilidade. Os resultados não permitem afirmar que a modalidade previna ou reverta a fragilidade em qualquer pessoa.
Conduzida por pesquisadores da Chinese University of Hong Kong e publicada no International Journal of Nursing Studies, a pesquisa acompanhou 72 pessoas que viviam na comunidade. A idade mediana era de 67 anos, e todos os participantes tinham pré-fragilidade, condição ligada a maior vulnerabilidade e risco de progressão para fragilidade.
Metade foi sorteada para participar do programa de pickleball, enquanto o restante manteve a rotina habitual. O grupo de intervenção fez duas sessões semanais de 60 minutos, totalizando 16 encontros. Com supervisão de um instrutor certificado, as aulas avançaram dos fundamentos para situações de jogo e incluíram aquecimento, prática e volta à calma.
Ao fim do período, 42% dos participantes que praticaram pickleball passaram de pré-frágeis a não frágeis. No grupo de controle, o índice foi de 8%. A diferença foi observada dentro de um programa estruturado e supervisionado, aplicado a uma população previamente selecionada.
Os praticantes também tiveram desempenho melhor em testes funcionais. No teste de caminhada de seis minutos, a diferença favorável ao grupo do pickleball foi de aproximadamente 31 metros. Houve ainda resultados positivos em avaliações de força das pernas e dos braços e de mobilidade dos ombros. O grupo reduziu o tempo sedentário, aumentou a atividade física leve e melhorou os escores físico e mental de qualidade de vida.
O pickleball combina elementos de tênis, badminton e tênis de mesa. A modalidade pode ser disputada em simples ou duplas, com raquete sólida e bola plástica perfurada, em uma quadra de cerca de 6,1 metros por 13,4 metros. Os deslocamentos, mudanças de direção e golpes repetidos reúnem estímulos de resistência, coordenação, equilíbrio e força, além da interação social.
Progressão e cuidados
O estudo não comparou o pickleball com caminhada, musculação, natação, dança ou outros exercícios estruturados. Por isso, não é possível dizer que a modalidade seja superior a essas atividades.
A quadra menor também não elimina os riscos. Entre praticantes mais velhos, entorses, distensões e fraturas aparecem entre os problemas registrados, enquanto quedas e mudanças rápidas de direção estão entre os mecanismos de lesão. Na pesquisa, os iniciantes não começaram diretamente em partidas competitivas: as primeiras semanas priorizaram golpes básicos, saque, movimentação e controle da bola.
Não foram registrados eventos adversos graves. Três participantes relataram problemas menores, incluindo desconfortos no ombro e no punho, tratados sem abandono do programa. Pessoas sedentárias ou com problemas de equilíbrio, histórico de quedas, doenças crônicas ou limitações musculoesqueléticas devem considerar essas condições antes de iniciar a modalidade e podem precisar de avaliação profissional.



